Antipalavras
Poesia e microcontos

6 fotos do olfato

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1

a grama foi cortada
o cheiro quente abraça
trazendo meus natais

2

aparelho novo sempre terá
não importa a cor, cheiro igual
ao meu super nintendo saído da caixa

3

passo por um manacá
e o branco roxo doce
nas narinas desenha avós

4

um misto de pasta de dente
e giz de cera com guache desenha
só com aroma minha pré-escola

5

o gatilho do limpador Cif dispara
desengordurante e lembrança do primeiro
emprego na lancheria Zanfir

6

carpetes têm um cheiro verde
que lembra a casa da primeira
namorada que tive


----------------

natal, presente, avó,
escola, trabalho e amor
seis fragrâncias
que mostram como

olfato é melhor
que a memória

ou fato acontecido
guardado em lembrança

ou feto de passado
guardado in vitro que olho

ou fito, para viver de novo
o que mostra a imaginação

ou foto do que já foi
e não será mais
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Antipalavras

Ou isso é poesia ou não é nada,
um nada absoluto que persiste
em tentar explicar tudo.

Mas um nada que não é ausência,
e sim, preenchimento ao contrário.

Assim como o mito, um nada
que é tudo, a poesia é um nada
superior ao vazio:
Antipalavra que anula a palavra comum,
resultando a realidade.

Essa é a função do poeta
equilibrar com antipalavras
um mundo construído por palavras
para que a ilusão em que todos vivem
adquira existência.

Anti-herói

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Escrevo poesias, contos e crônicas. Toco piano na banda Reino Elétron. Sou formado em Letras e faço Jornalismo na Universidade de Passo Fundo

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