Antipalavras
Poesia e microcontos

Velórios

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o caixão lacrado
encerra a lembrança
de amigo noiva filho mãe
ou rosto querido qualquer

a imaginação mórbida
invade a mente
e abre a tampa
exumando pressupostos
cadáveres familiares

o caixão aberto
é uma caixa de boneco
de cera inchado da morte
exposto lembrete
do nosso futuro

algodão no nariz
pra estancar a última
hemorragia nasal
da criança
que envelheceu
ou não

prefiro fotos bilhetes
pertences perfumes
cheiro de roupas
cadernos guardados
pegadas na sala
cabelos na escova
impressões no espelho

velórios matam mais
que automóveis armas
de fogo água ou pedra
são assassinos brutais
de lembranças
que transformam imagens
de pessoas
em defuntos desfigurados
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Antipalavras

Ou isso é poesia ou não é nada,
um nada absoluto que persiste
em tentar explicar tudo.

Mas um nada que não é ausência,
e sim, preenchimento ao contrário.

Assim como o mito, um nada
que é tudo, a poesia é um nada
superior ao vazio:
Antipalavra que anula a palavra comum,
resultando a realidade.

Essa é a função do poeta
equilibrar com antipalavras
um mundo construído por palavras
para que a ilusão em que todos vivem
adquira existência.

Anti-herói

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Escrevo poesias, contos e crônicas. Toco piano na banda Reino Elétron. Sou formado em Letras e faço Jornalismo na Universidade de Passo Fundo

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