Antipalavras
Poesia e microcontos

Atravesso a rua

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encontrei comigo no centro hoje
quase não me reconheço
acenei com a cabeça
e olhei três vezes para trás
até lembrar o que fui
ou serei

perdi uns quilos de sonhos
ganhei outros de almoços

espiões brancos passeiam
em minha cabeça

troquei meu olhar mais
do que de óculos

certezas que tinha quebrei
pouco depois de acabar
a garantia de fábrica:
já foram três corações
e um jogo de mãos

mas o pior
com uma máscara de horas
vento frio tristeza e riso
é meu rosto desfigurado

na próxima vez
que cruzar comigo
atravesso
a rua
e me esqueço
1 comentarios:

na próxima vez
que cruzar comigo
atravesso
a rua
e me esqueço


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Antipalavras

Ou isso é poesia ou não é nada,
um nada absoluto que persiste
em tentar explicar tudo.

Mas um nada que não é ausência,
e sim, preenchimento ao contrário.

Assim como o mito, um nada
que é tudo, a poesia é um nada
superior ao vazio:
Antipalavra que anula a palavra comum,
resultando a realidade.

Essa é a função do poeta
equilibrar com antipalavras
um mundo construído por palavras
para que a ilusão em que todos vivem
adquira existência.

Anti-herói

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Escrevo poesias, contos e crônicas. Toco piano na banda Reino Elétron. Sou formado em Letras e faço Jornalismo na Universidade de Passo Fundo

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