Antipalavras
Poesia e microcontos

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- Tira esse pulguento daqui! - Disse a dona da pet shop ao mandar embora um vira-lata.

(...)

- Larga o biscoito que eu chamo a polícia! - Disse a merendeira da escola ao mandar embora um menino de rua e um vira-lata.

(...)

- Sem plano não tem cirurgia agora! - Disse a secretária do hospital ao mandar embora um mendigo doente, seu filho e um vira-lata.

(...)

- Indigente é no municipal! - Disse o coveiro ao mandar embora o corpo do mendigo, enquanto o menino chorava e o vira-lata lambia suas mãos.
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Antipalavras

Ou isso é poesia ou não é nada,
um nada absoluto que persiste
em tentar explicar tudo.

Mas um nada que não é ausência,
e sim, preenchimento ao contrário.

Assim como o mito, um nada
que é tudo, a poesia é um nada
superior ao vazio:
Antipalavra que anula a palavra comum,
resultando a realidade.

Essa é a função do poeta
equilibrar com antipalavras
um mundo construído por palavras
para que a ilusão em que todos vivem
adquira existência.

Anti-herói

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Escrevo poesias, contos e crônicas. Toco piano na banda Reino Elétron. Sou formado em Letras e faço Jornalismo na Universidade de Passo Fundo

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